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Sábado, 15 de Julho de 2017, 08h:15
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Política / OPERAÇÃO CONVESCOTE

TJ manda soltar sindicalista que tentou comprar assessora de juíza em Cuiabá

Éder Gomes de Moura ficou detido por 24 dias após ser gravado oferecendo propina a servidora da juíza Selma.
DO FOLHAMAX

 

O desembargador Rondon Bassil determinou no início da noite desta sexta-feira a soltura do presidente afastado do Sindicato dos Oficiais de Justiça de Mato Grosso, Éder Gomes de Moura. Ele estava preso desde o dia 20 do mês passado na "Operação Convescote" que investiga um esquema de desvio de recursos públicos através da "consultoria fantasma" da Faespe (Fundação de Apoio ao Ensino Superior).

Após cinco desembargadores terem se recusado a analisar os pedidos de liberdade no segundo grau, o desembargador Pedro Sakamoto foi sorteado para ser o relator de toda investigação. No entanto, diante de Sakamoto não ter trabalho nesta sexta-feira, o habeas corpus do oficial de justiça foi remetido a Rondon que opinou pela liberdade.


Gravações ambientais feitas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) flagraram Éder Gomes de Moura tentando atrapalhar as investigações do suposto esquema. Ele chegou a oferecer propina a uma assessora da juíza Selma Rosane Arruda para ter acesso as informações privilegiadas de toda investigação que apura desvios no Tribunal de Contas do Estado, Assembleia Legislativa e outros orgãos públicos.


De acordo com o Gaeco, a servidora recebeu uma ligação do oficial de Justiça dizendo que precisava falar com ela a respeito de alguns documentos referentes ao marido dela, que também é oficial de Justiça, sobre questões de direito em favor dos oficiais de Justiça. A servidora fez uma denúncia no Gaeco no começo deste mês.


Ela afirmou que um oficial de Justiça veio até ela pra conseguir documentos que já estariam sendo analisados pela juíza Selma Arruda e que também eram investigados pelo Ministério Público Estadual (MPE). Inicialmente Eder ofereceu um valor de R$ 5 mil pelos documentos.


Um novo encontro com o oficial foi marcado e gravado com uma câmera escondida. A servidora e o oficial se encontraram em um shopping da capital. O oficial de Justiça ofereceu novamente dinheiro em troca dos documentos


Ele aumentou a oferta de R$ 5 mil para R$ 15 mil. Os valores eram escritos num pedaço de papel e mostrado pra servidora, conforme consta da denúncia. “Por isso que eu falo...só depende de você.
Na hora que você se sentir segura, que tiver só você, entendeu? Aí você leva o processo para algum lugar, tira cópia (…) ou tira ali mesmo”, disse o oficial de Justiça enquanto tentava convencer a servidora.


Eder disse para a servidora do TJMT que fazia uma intermediação para um advogado. Esse advogado teria pedido os documentos porque um cliente estava interessado em saber o teor da denúncia.


O Gaeco diz que ainda não identificou quem seria o advogado e o cliente. Apesar de solto, Éder irá responde um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).

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