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Sábado, 12 de Agosto de 2017, 17h:08
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Política / VANTAGENS DOS VAGÕES

Em e-mail fictício, Eder fala de propina paga até em euro para grupo

O ex-governador teria cuidado de tudo, mas Silval nega que tenha feito acordos na moeda estrangeira
SÍLVIA DEVAUX
DA REDAÇÃO

 


Nas informações que deixava para o promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes, pelo e-mail fictício no codinome de José Ribamar, em 2014, o ex-secretário estadual Eder Moraes (Casa Civil e Secopa) detalhou as tratativas do grupo de Silval Barbosa (PMDB) para o recebimento de 15 milhões de Euros que foram pagos em propina nas negociatas da compra dos vagões do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que na época foram repassados por meio de uma conta na Espanha.


De acordo com Eder, além do ex-governador, tiveram envolvimento no esquema o ex-secretário Pedro Nadaf (Casa Civil e Indústria), o então procurador Francisco Lima (hoje aposentado) e o empresário Vanderlei Torres,  da Trimec Construções e Terraplanagem Ltda.  “Eles estão tentando de todas as formas internalizar estes recursos ou fazer operação com lastro nisso, enfim, estão fazendo engenharia financeira para esquentar essa grana”, contou nas mensagens salvas no rascunho do e-mail.

 

 

15 mi euros

A delação de Pedro Nadaf à Procuradoria-Geral da República (PGR) também revelaria o recebimento de uma propina no fornecimento dos vagões do VLT, mas de apenas 8 milhões de euros que, segundo ele, foram pagos pela CAF, fábrica espanhola de vagões ferroviários. Conforme o ex-secretário, somente soube disso porque Silval o confidenciou e o próprio governador quem cuidou de tudo. Já Silval nega que tenha feito quaisquer acordos na moeda estrangeira.

“Eles ofereceram essa operação em factoring local do Valdir Piran (Piran Factorin – VP Participações) que não aceitou fazê-la”, revelou mensagem no e-mail fictício, que Eder Moraes também teria relatado em depoimento ao MPE quando foi detido nas primeiras fases da Operação Ararath. Na ocasião, o ex-secretário da Secopa falou que as negociações foram fechadas com retorno de 9% ao grupo.


Assim, dos R$ 1.070 bilhão gasto pelo Governo de Mato Grosso com as obras do VLT, cerca de R$ 500 milhões foram usados na compra de 40 vagões adquiridos bem antes da conclusão das obras do modal que estão paradas desde setembro 2014 e os vagões abandonados no pátio do aeroporto. Ao grupo de Silval teria rendido no total R$ 45 milhões.

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